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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Lenda do Filtro dos Sonhos



Embora o fitro de sonhos esteja presente em todas as tradições indígenas, ele surgiu com os índios Ojibwe (ou Chippewa).

Para o povo Ojibwe, que vivia na região dos Grandes Lagos americanos, decifrar os sonhos era uma parte fundamental em sua vida. Para este povo, a tarefa mais importante na vida das pessoas durante sua passagem pela Terra era aprender a decifrar as mensagens reveladas nos sonhos.

Este povo acreditava que quando vem a noite, o ar se enche de sonhos bons e ruins, alguns deles mesmo sendo pesadelos, podem conter uma importante mensagem do Grande Espírito, outros porém contém energias ruins que flutuam à nossa volta e que não são nossos. O filtro, que na verdade é uma grande teia, tem a função de separar os sonhos bons e importantes das energias ruins, que podem nos fazer mal.

De acordo com a tradição, o filtro de sonhos deve ser pendurado sobre o berço dos bebês e sobre a cama das crianças, desta foram os sonhos bons sabem exatamente por onde devem ir, passando pelo buraco central da teia, ao contrário dos sonhos e energias ruins que acabam se perdendo e ficando presos nos fios. Quando surgem os primeiros raios de sol os sonhos ruins desaparecem.

O filtro para crianças é formado com ramos flexíveis de salgueiros e revestido com tiras de couro, já para adultos são trançados em fibra, para dar mais resistência. Uma pena é colocada bem no centro, para representar o ar ou a respiração, o que é essencial à vida.

Quando o bebê olha para a pena que balança com o vento, ele aprende a importância do ar. A pena também tem importante significado: a pena de coruja, feminina, representa a sabedoria, já a pena de águia, masculina, serve para dar coragem.

Existem muitas lendas sobre o surgimento das teias, envolvendo aranhas e Mulheres-Aranhas. Em muitas histórias a Mulher-Aranha é um indivíduo muito sábio, ora avó do Sol e organizadora da vida na Terra, ora mensageira do Sol.

São várias as versões da história, aqui vamos falar de uma, talvez a mais contada.

Diz a lenda que uma aranha fiava sua teia bem próximo à cama da avó (Nokomi), que todos os dias a observava. Dias depois o neto dela entrou no quarto, viu a aranha na teia, e resolveu matá-la com uma pedra, mas a avó não deixou. Mesmo tendo achado muito estranho, o garoto respeitou a vontade da avó. A idosa voltou a observar então o trabalho da aranha, enquanto o animal olhou para a velha mulher e disse: “Obrigada por salvar minha vida. Vou dar-lhe um presente por isso.Na próxima Lua nova vou fiar uma teia na sua janela. Quero que você observe com atenção e aprenda como tecer os fios, porque esta teia servirá para capturar todos os maus sonhos e energias ruins e um pequeno furo no centro vai deixar os sonhos bons passarem e chegarem até você”.

Quando a Lua chegou, a aranha começou a tecer a teia mágica, observada pela avó que não escondia tamanha felicidade pelo presente. De tempo em tempo a aranha dizia para a senhora aprender, até que exausta a avó adormeceu.

Ao surgirem os primeiros raios de sol no céu, a brisa trouxe penas de pombo, que ficaram presas a teia e um corvo que pousou ali também deixou uma longa pena pendurada.

Entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria e a avó, feliz com tanta beleza, resolveu ensinar todos da tribo a fazerem os filtros de sonho e por décadas estes objetos vêm afastando pesadelos de muitas pessoas.


É uma mandala de cura de origem nativa norte-americana em que o tempo dos sonhos é influenciado por boas e más energias. A sua função é afastar as energias negativas, que presas na teia, se dissipam nos primeiros raios de sol. No Brasil as únicas tribos indígenas que acreditam no poder desse filtro são os Xavantes e os Tupis.




Você poderá colocá-lo no seu quarto, escritório, ou até no berço ou carrinho do bebê. Os nativos ensinam que os bebês ao verem as penas balançarem com o vento, se entretêm e aprendem a importância do ar. Agora vamos ver oque representa cada item presente no filtro dos sonhos:

O círculo: Representa o círculo da vida, a totalidade, o símbolo do sol, do Céu e da eternidade. No simbolismo ancestral o círculo é o símbolo do espaço infinito, sem começo e sem fim. Serve como um espelho, onde podemos ver o reflexo do universo.

A teia e a pena: Os fios da teia, que são ligados ao círculo, podem ser tecidos em 7 pontos (7 profecias) 8 pontos (8 pernas da aranha = oito direções sagradas ), 13 pontos (13 Luas), variando de acordo com cada tradição e intenção.
Pode ser colocada uma pena no centro, simbolizando a respiração, o elemento ar, e em alguns são colocados uma pedra/cristal. Tudo o que é colocado possui um significado. O Centro da Teia corresponde ao grande mistério, o criador, a força que abrange o universo inteiro.
A mandala é formada por várias partes que têm um simbolismo:
- a parte de cima, um bambu com penas, trabalha a cabeça,
- a argola mexe com o corpo físico e a aura,
- a teia envolve o emocional,
- o que fica pendurado representa a energia que a pessoa está vivendo no momento.


As pedras: As Pedras colocadas no filtro têm uma conexão com a roda medicinal dos índios, que era montada com pedras. Cada uma faz uma conexão: uma ensina a ter clareza, outra limpa mágoas, outra trabalha a cura e outra lida com medos. Trabalha o corpo físico, o corpo mental, o corpo emocional e a relação com as energias da Terra.


Obs.: Se vier de uma aldeia indígena como o meu é so colocar no uso direto, mas se comprado numa loja procure consagra-lo com os 5 elementos.




LUZ E HARMONIA

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sábado, 27 de julho de 2013

O Casamento Sagrado Das Polaridades






O panteão das tradições antigas resultou na interação dos dois princípios cósmicos universais: o masculino, representado pelo Pai Céu, e o feminino, personificado pela Mãe Terra. O casamento sagrado desses dois polos gerou formas energéticas secundárias, polarizadas pela influência das forças telúricas, cósmicas, planetárias e dos fenômenos da Natureza.


Quando modeladas pela egrégora mental de um conjunto racial, tribal ou grupal, essas energias se manifestam como arquetípicos divinos, imbuídos de características e atributos específicos e com apresentações e nomes que variam conforme o lugar de origem.

A existência e a sobrevivência dos arquétipos de determinado panteão dependem da intensidade com que são cultuados e da duração desse culto. Sem essa conexão e nutrição recíproca, as matrizes etéreas enfraquecem-se e acabam desaparecendo com o passar do tempo.


Apesar de as divindades dependerem da egrégora humana, elas não são mero fruto de nossa imaginação: são expressões reais de poderosos campos energéticos e vórtices de energia cósmica. Elas existem em uma realidade diferente do mundo tridimensional, chamada pelos xamãs de ''nagual'' ou ''realidade incomum'' (ou extra física), e tem o poder de existir e agir independentemente da vontade humana.


Esses centros de energia cósmica, sutis e inteligentes, denominados divindades (sejam elas Deuses, vibrações originais, Devas ou Orixás), supervisionam o livre-arbítrio coletivo e auxiliam nas decisões tomadas pelos indivíduos, dentro dos limites, valores e regras do ambiente ao qual pertencem.


Isso significa que elas não interferem no livre-arbítrio, nem agem contra os interesses do agrupamento humano que as ''criou'' e que continua ''alimentando-as'' por meio de invocações, oferendas, cultos e rituais.


Existe uma necessidade de intercâmbio energético permanente entre a origem e o resultado da criação, entre o criador e a criatura.


Uma divindade deixará de existir apenas quando não tiver mais nenhum ser humano que invoque sua presença ou acredite em sua existência. Quando isso ocorrer, o campo energético por ela representado não se extingue no espaço, mas se desloca ou volta a sua origem, podendo servir como substrato para a criação de um novo arquétipo, em lugar ou tempo diferente.


Os Deuses e as Deusas não são arquétipos estáticos, eles evoluem e se modificam de acordo com o progresso cultural e tecnológico e a trajetória espiritual humana. As mudanças na percepção e interpretação de suas manifestações e a compreensão expandida de seus atributos e funções levam á readaptação dos mitos e a sua adaptação ás novas necessidades mentais, psicológicas e sociais da comunidade a qual pertencem. São as projeções e as formas mentais humanas que determinam a ''metamorfose'' das divindades, que acompanham, de maneira simbiótica, o desenvolvimento de seu povo e o surgimento de novos valores e hábitos comportamentais, morais e sociais.

Compreende-se, assim, o porquê das diferenças nos mitos de um mesmo Deus ou Deusa e os variados nomes a eles atribuídos''.


Fonte : Texto de Mirella Faur


LUZ E HARMONIA

Caillean )0(

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

MEDITAÇAO XAMANICA


Eu aprecio muito qualquer tipo de meditação, e as xamanicas sao muito poderosas. Encontrei este tesouro e resolvi compartilhar com voces.
Conheço muitas outras tecnicas interessantes mas começaremos pelas mais simples.
Existe uma grande quantidade de técnicas de meditação utilizadas pelos xamãs mexicanos. Cada linhagem de xamãs pratica técnicas específicas que têm sua origem em períodos remotos.

Os xamãs mexicanos utilizam estas técnicas de meditação para purificarem-se e se prepararem para seus trabalhos de cura ou em seus trabalhos como psicólogos autóctones. A seguir, explica-se algumas dessas técnicas de meditação tal e como as usam os xamãs referidos no texto.




MEDITAÇÃO OLMECA

Os Olmecas foram um povo altamente desenvolvido que acreditavam que o verdadeiro significado da existência consistia em participar, propiciando a manutenção e o desenvolvimento da ordem Cósmica.

Existem evidências que indicam que os Olmecas desenvolveram sistemas meditativos cujas instruções se encontram gravadas nas grandes estátuas de pedra que esculpiram. Possivelmente, eles foram os originadores do xamanismo no México, cujos representantes, todavia existem.

A meditação Olmeca implica em um manejo corporal muito interessante no qual se tem um efeito vitalizador, de rejuvenescimento e de manutenção de um estado de saúde ótimo. De fato, se diz que a meditação Olmeca se praticada de forma constante durante cinco anos, seu efeito é o de manter, em forma permanente, a juventude.

Para praticar a meditação Olmeca, se utiliza a postura sentada, com as costas retas. O meditador começa fixando a atenção do seu corpo, concentrando-se primeiro em sua coluna vertebral. Visualiza esta última e imagina uma luz, ou energia que gira ao redor da coluna, em direção contrária ao dos ponteiros do relógio, ou seja, para a esquerda. Este giro se realiza por toda coluna, desde sua base até sua inserção no crânio. O giro se faz envolta da coluna de cima para baixo, de baixo para cima, até estendê-lo por toda a extensão da mesma. Na medida em que o giro exterior continua, tenta-se penetrar na coluna vertebral fazendo-a girar para a esquerda - mas em seu interior.

Se o meditador tem êxito, logo notará que toda sua coluna vertebral manifesta um giro sustentado para a esquerda em toda sua extensão e longitude. Quando se alcança isto, então a atenção se fixa no cérebro, também o fazendo girar para a esquerda. O giro cerebral se inicia com uma estratégia similar à utilizada na coluna vertebral; ou seja, primeiro o meditador visualiza uma luz ou energia que rodeia o cérebro girando para a esquerda e pouco a pouco faz o giro penetrar até o interior da massa cerebral, até que cubra toda ela, em cada uma de suas partes, gire para a esquerda.

Mais adiante, utilizando um procedimento similar, se atende a cada órgão do corpo: coração, pulmões, estômago, intestinos, órgãos genitais, etc, e os faz girar para a esquerda.

Por último, o giro se estende para as pernas, braços, tórax e, geralmente, a todo o corpo.

Não existe limite de tempo para manter o giro para a esquerda, ainda que se recomende dois períodos de giro de vinte minutos cada um, como mínimo suficiente para começar a sentir os benefícios derivados desta prática.






MEDITAÇÃO YAQUI

Um dos legados xamânicos mais interessantes é a técnica de equilíbrio entre o lado esquerdo e o direito utilizada na tradição dos índios Yaquis. Para realizar este exercício o praticante se põe de pé e visualiza duas colunas verticais de energia situadas em ambos os lados do seu corpo.O primeiro passo desta técnica consiste em "abraçar" a coluna esquerda colocando o braço esquerdo acima e o direito abaixo da coluna. Em seguida, transferir a coluna para o lado direito, depositando-a ali. Agora, a coluna direita é abraçada colocando o braço direito acima e o esquerdo abaixo e se transporta a coluna para o lado esquerdo colocando-a ali.

A seqüência anterior se repete tantas vezes quanto necessária até sentir um incremento de energia e um equilíbrio interno. Uma vez concluído o exercício anterior, o praticante visualiza uma coluna horizontal de energia que o rodeia na altura do umbigo. Girando as costas para a esquerda "corta" a coluna com sua mão esquerda como se esta fosse um punhal, coloca a palma da mão perpendicularmente ao corte e empurra a coluna sustentando-a, ao mesmo tempo, com seu braço direito.

Segue empurrando e sustentando a coluna até situá-la nas suas costa, com um golpe final. Agora, gira suas costas para a direita , "corta" a coluna com sua mão direita colocando a palma perpendicular ao corte e empurra a coluna sustentando-a com seu braço esquerdo e colocando nas suas costas com um golpe final. A seqüência se repete até equilibrar a parte anterior com a posterior.

Outra das técnicas xamânicas dos Yaquis consiste em tocar um tambor seguindo um ritmo constante por períodos prolongados. Se o ritmo é acompanhado com as duas mãos, incrementa o equilíbrio entre os lados direito e esquerdo e ajuda a liberar as tensões e a purificar o corpo.



TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE DON LUCIO DE MORELOS
Don Lucio considera que seu poder como xamã provém do que ele chama "mundo invisível" habitado pelos "trabalhadores do tempo", pelos "rebanhos" e pelos "pastores".

As técnicas de meditação de Don Lucio estão imaginadas precisamente para estabelecer contato com este mundo invisível e com seus habitantes.

Uma das técnicas é o estabelecimento de contato com a natureza e o relaxamento neste contato. Don Lucio escolhe algum local do campo, preferivelmente livre de interferências sonoras e distante de interações humanas e, neste lugar, por exemplo, debaixo de uma árvore, se recosta e relaxa deixando livre sua mente sem obstruir seus processos, sem reprimir-los nem guiar-los. Em suas palavras, deixando livre seu espírito para que faça e realize suas "negociações espirituais".

Outra das técnicas de meditação deste xamã consiste em prestar atenção aos sons internos e escutar as mensagens dos "trabalhadores do tempo" que, segundo ele, se comunicam com ele de forma direta.
TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE DOÑA PACHITA

Doña Pachita, uma das xamãs mais extraordinárias do México contemporâneo, realizava verdadeiras façanhas de cura, de manejo do espaço-tempo, da energia e da matéria, e dizia utilizar uma série de procedimentos que lhe permitiam realizar seu trabalho.

O procedimento principal de meditação de Doña Pachita consistia em sentar-se em uma cadeira de frente para seu altar no quarto onde realizava suas operações e curas, e uma vez ali, fechar os olhos e respirar suavemente até escutar um zumbido característico em um dos ouvidos. Uma vez captado este zumbido, o qual, segundo Doña Pachita, era a manifestação de uma mudança de estado nela mesma, atendia a esse som interno até que sentia que caia em uma espécie de grande orifício, onde mudava de estada.

Doña Pachita meditava sobre sensações sonoras características e depois se deixava ir em um ato que ela descrevia como o de um salto no vazio ou de uma súbita baixada na roda da fortuna, depois do qual começava suas operações cirúrgicas.

A técnica me faz recordar um procedimento hindu de meditação chamado "shabd", no qual o meditador deve por atenção em um zumbido característico e seguir esse zumbido por um período de tempo relativamente longo.

TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE DON PANCHITO

Don Panchito, um dos mais veteranos xamãs da República Mexicana, era de origem maia e vivia em um pequeno povoado do centro da península yucateca. Don Panchito utilizava pelo menos três técnicas de meditação.

A primeira dela era a observação atenta dos fenômenos naturais cotidianos. Refiro-me à observação do amanhecer, do anoitecer, dos movimentos dos animais, de seus próprios processos internos, as mudanças da luz, dos movimentos de sua rede ao mexer-se nela, etc . Don Panchito era capaz de manter sua observação durante horas, atendendo aos mínimos detalhes da mesma.

A segunda técnica de meditação que utilizava Don Panchito, era a observação atenta das estrelas durante as noites. Por aproximadamente quinze minutos ele escolhia alguma zona do firmamento estrelado e fixava sua atenção nesta zona em uma postura de relaxamento, deixando que penetrasse a informação estelar no seu interior. Próximo ato, Don Panchito dormia e de manhã coletava seus sonhos e, através do conteúdo dos mesmos, podia observar seus próprios processos e era capaz de utilizar essa informação para oferecer-la a algum paciente. De fato, a técnica de observação estelar com a subseqüente análise dos conteúdos oníricos, era utilizada por Don Panchito quando algum paciente vinha consultá-lo e lhe pedia especificamente um ato de adivinhação do futuro.

A terceira técnica e meditação de Don Panchito, consistia no que ele denomina de "falar diretamente com Deus". Desta técnica o único que posso mencionar é que Don Panchito colocava ênfase em que o sujeito em desenvolvimento devia aprender a estabelecer um diálogo direto com Deus e manter esse diálogo sem intermediários.

TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE DON GUADENCIO
Don Gaudencio é um descendente dos índios Tecpanecas. Ele utiliza duas técnicas de meditação que, diferente das técnicas dos xamãs anteriores, são técnicas ativas.

A primeira destas técnicas é o que podíamos denominar de "técnica do passo de poder". Esta é utilizada pelos índios Tecpanecas para adquirir maior energia e poder, e com ela interagir de forma mais adequada durante seus processos curativos. Consiste em caminhar com as pernas ligeiramente flexionadas, o peito aberto e em uma posição adiantada em uma espécie de mimetismo do que poderia ser a caminhada de um gorila. Este passo de poder se mantém durante um tempo considerável sem interrupção e, segundo Don Gaudencio, provoca um incremento energético.

A segunda técnica, também de origem Tecpaneca, consiste em girar lentamente a cabeça em uma direção horizontal da esquerda para a direita e logo da direita para a esquerda. Os giros são feitos apertando o queixo contra o peito durante o giro lento. Segundo Don Gaudencio, os índios tecpanecas chegavam a manter essa técnica de meditação ativa durante oito horas ininterruptas, concentrando-se totalmente no giro lento, produzindo, desta maneira, um incremento na capacidade de atenção e na focalização da mesma.



TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE CARLOS CASTANEDA

Este xamã contemporâneo, discípulo de Don Juan Matus de Sonora, utiliza uma quantidade indeterminada de técnicas de meditação das quais só me é possível falar de duas delas.

Uma técnica muito parecida à descrita anteriormente, dos índios Tecpanecas, consiste em girar lentamente a cabeça, também da direita para a esquerda e da esquerda para a direita com um adendo: durante o movimento se imaginam cenas que envolvem outras pessoas com as quais se interagiu e, durante o giro e ao inalar recorrem aos elementos da própria presença que sentem que deixaram como resquícios nas pessoas com as quais interagiram, e ao exalar/expirar devolvem a estas mesmas pessoas os elementos energéticos que se tomou delas.

A técnica permite recuperar a energia pessoa sem interferências e sem cruzar com a energia de outras pessoas. Desde um ponto-de-vista psicanalítico se poderia explicar esta técnica como a de uma recuperação dos processos transferíveis e contra-transferíveis do xamã. Em outras palavras, é uma técnica que permite elaborar as interações do passado e limpá-las de cargas energéticas e emocionais.

Neste sentido, outra das técnicas de meditação que utiliza Carlos Castaneda consiste em recorrer à memória em forma seqüêncial do momento presente para trás, elaborando os processos da interação através da inspiração e expiração e giro da cabeça com o objetivo de restabelecer o presente e apagar a história pessoal e a série de condicionamentos e associações que se tenha internalizado. Uma das idéias e objetivos principais destas técnicas é o silêncio interno. Em outras palavras, um espaço no qual não exista diálogo interno, com o objetivo de interagir com a Realidade no presente e com total fluidez.

TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE JUAN DIEGO

Juan Diego utiliza uma técnica de meditação muito interessante, que consiste em sentar-se imóvel como primeiro ato pela manhã depois de despertar e permanecer assim durante duas horas, permitindo que seu ego se desvaneça pouco a pouco e, em seu lugar, seu corpo se impregne da energia do meio ambiente. Nas palavras de Juan Diego, sua técnica consiste em permitir que a energia do "ser" substitua a sua própria banhando-o nela totalmente. Segundo Juan Diego, desta forma se adquire suficiente força para poder aliviar os males dos pacientes que vêm lhe pedir auxílio.

TECNICAS DE MEDITAÇÃO DE DOÑA JOSEFINA

Doña Josefina poderia considerar-se uma xamã veterana que se dedica à cura na cidade de Oaxaca, e que utiliza uma técnica de meditação extraordinariamente sofisticada que vou tentar descrever a seguir.

Doña Josefina afirma que pode permanecer consciente durante toda a noite observando seus próprios processos e estimulando o que ela denomina de "viagens fora do corpo". Doña Josefina utiliza estas viagens para estabelecer contato com seus pacientes, independente da distância em que se encontrem e sobre tudo para viajar a algum lugar que diz estar localizado no Japão e estabelecer uma interação com os habitantes que, segundo ela, vivem ali.

Doña Josefina afirma que lhe basta visitar este lugar para readquirir força e poder trabalhar durante todo o dia em seus processos terapêuticos, sem necessidade de dormir durante muitas noites.

Conclusões

É necessário deixar claro que esta revisão das técnicas de meditação dos xamãs mexicanos não é de nenhuma forma exaustiva, nem tampouco poderia considerar-se que constitui uma ênfase final ou total acerca das técnicas que usam. Mas bem, é uma revisão parcial que, na medida em que se obtém maior informação, poderá ser enriquecida em futuros trabalhos.

Por hora, é possível afirmar que, em geral, os xamãs mexicanos utilizam duas grandes famílias de técnicas de meditação: por um lado, o que se poderia denominar de técnicas ativas como o passo de poder, os movimentos giratórios de cabeça, e por outro lado, técnicas que não implicam movimentos e, por isso, poderiam denominar-se passivas, como as que utiliza Don Panchito em suas observações da natureza e em sua fixação na atenção às estrelas. Os níveis de complexidade das técnicas de meditação da cada xamã, desde muito concretas até muito abstradas, desde as que implicam movimentos específicos como no caso de Don Gaudencio, até as que implicam o estabelecimento de um diálogo direto com Deus, como o caso de Don Panchito.
Fonte : La Meditacion
Jacobo Grinberg Zylberbaum
Tradução para o espanhol feita por Menkaika

sexta-feira, 11 de julho de 2008

PRECE AO GRANDE ESPIRITO - Lakota Sioux


Ó Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, cujo sopro anima o mundo, ouça-me.
Sou pequeno e fraco, preciso de sua força e sabedoria.
Permita que eu caminhe na Beleza, e faça que meus olhos contemplem para sempre o vermelho e a púrpura do sol poente.
Faça com que minhas mãos respeitem todas as coisas que o Senhor criou.
Faça meus ouvidos aguçados para que eu ouça a sua voz.
Faça-me sábio para que eu possa entender tudo aquilo que o Senhor ensinou ao seu povo.
Permita que eu apreenda os ensinamentos que o Senhor escondeu em cada folha, em cada pedra.
Busco força, não para ser maior do que meu amigo, mas para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo.
Permita que eu esteja sempre pronto para ir até o Senhor de mãos limpas e olhar firme. Assim, quando a minha vida estiver no ocaso, como o sol poente, que meu Espírito possa ir à sua presença, sem nenhuma vergonha.
LUZ E HARMONIA

O RETORNO DOS XAMÃS


O xamanismo figura na origem das práticas de tratamento da alma, da mente e do corpo, tendo deixado influências em todos os continentes. A notável criatividade de suas técnicas vem ressurgindo no enfoque holístico de muitas terapias, além de promover a aliança do homem moderno com as forças naturais.
O xamã é um especialista do mundo invisível com um talento muito particular, que lhe permite entrar e sair dele com liberdade e conhecimento para curar, fazer adivinhações, ver o passado, o presente ou futuro, conciliar o homem com o sobrenatural e as forças mágicas. Ele é o manipulador do "Sagrado" e mestre do êxtase, do transe extático, um dos aliado dos espíritos da natureza, dos ancestrais, que trava contato com as potências celestes como com as inferiores, de acordo com a necessidade do grupo a que serve.
Classificá-lo apenas como feiticeiro, pajé, curandeiro ou mago é limitar a ação desse agente da força mana universal e impessoal, responsável pelo sistema mais antigo de tratamento da mente e do corpo.
Acredita-se que o xamanismo tenha pelo menos 30.000 anos de história, tendo surgido no período Paleolítico.
Seu desenvolvimento transcorreu de modo paralelo à consciência religiosa, fortalecendo-se por meio dela.
Todos os continentes receberam influências da tradição xamânica, especialmente as regiões do norte e do centro-asiático, as regiões árticas e as norte-européias.
Países como a Índia, Tibete, China, Japão, Austrália, África, toda a América do Norte, a Central e a Sul tem vestígios de suas práticas.
No Brasil, onde existem várias nações indígenas, a imagem do xamã equivale-se à do pajé, à do curandeiro e à do conselheiro espiritual da tribo.
Na língua dos povos Tungus, da Sibéria, vamos encontrar o termo saman e, em sânscrito sramana, que muito provavelmente registram a origem da expressão xamã, traduzida como "homem inspirado pelos espíritos". Não que o xamanismo fosse um fenômeno exclusivamente masculino, pois tudo indica que através do tempo a participação das mulheres diminuiu muito, pela impassibilidade de conciliar as exigências da vida familiar com as funções designadas a esse mestre do mundo invisível
Os xamãs foram os primeiros professores, profetas, contadores de histórias, artistas místicos e investigadores da natureza. Tinham desenvolvidas no mais alto grau as suas capacidades mentais e aplicavam o conhecimento intuitivo animal, que reside em nosso sistema límbico - área primitiva co cérebro conectada com a memória animal, que diz respeito à mente prólógica. Daí o xamã trabalhar com seus animais de poder, que são seres espirituais que lhe protegem e servem, manifestações da sua outra identidade, e que podem ser descobertos por todas as pessoas em seu mundo interno.
Na jornada às outras dimensões os xamãs tem os seus animais como seus cúmplices e as plantas de poder como seus agentes secretos; a percepção aguda dos seus animais auxiliares permite-lhe rastrear a enfermidade do paciente, e o vínculo com os seres vegetais lhe empresta o poder da cura. Para eles só existem os limites da imaginação.
A natureza é a sua grande aliada, e nela todos os seres são vivos e podem agir com finalidade certa. Afinal, almas e espíritos animam todas as coisas do universo por obra do sagrado.
O neófito é o possuidor de uma vocação xamânica, normalmente aflorada em meio a alguma espécie de crise, de prova, que simboliza o seu chamado. A tradição é repleta de histórias que narram o processo de iniciação ritual na arte do xamanismo, sendo muito conhecida a de Carlos Castañeda com seu mestre Dom Juan. O indivíduo com o destino de ser um xamã deve voltar sua sensibilidade para o misticismo, e para isso a realidade se encarrega de defrontá-lo com o sentido profundo da vida. Muitas vezes isso acontece com o surgimento de uma doença, que o futuro xamã conseguirá superar, vivendo o arquétipo junguiano do "curador ferido" - sua morte simbólica para o renascimento em outra consciência.
A entrada no transe que conduz à viagem xamânica exige uma alteração do estado de consciência. Nesse processo, o som, a dança, o canto e os objetos de poder vão criar os estímulos para isso.
Com a consciência alterada, o xamã recebe impressões inacessíveis aos sentidos comuns, penetra na dimensão astral, em outros mundos. Esses mundos não são artificiais, mas tão reais quanto o mundo comum; artificiais podem ser os meios para se chegar até eles.
A ciência tem estudado a natureza do transe xamânico, constatando a superioridade de certos estados de consciência alterada sobre o estado de consciência comum em que vivemos a maior parte do tempo.
A abordagem holística que caracteriza a cultura aquariana emergente tem conciliado com grande felicidade o terapêutico e o espiritual, o tradicional e o contemporâneo. Muitas técnicas multimilenares do xamanismo estão retornando ao presente, expressando-se na psicologia e em diversas modalidades de terapias alternativas, com a criatividade típica desse conhecimento arcaico. E a criatividade é uma condição essencial para o resgate do nosso ser original, para enfrentarmos - como bons xamãs modernos - a morte ritual do pequeno ego que nos fará renascer inteiros.
Desconheço a autoria
(por favor se souberem de quem é este texto me avisem que darei o devido crédito)
LUZ E HARMONIA

domingo, 20 de abril de 2008

PRECE INDÍGENA


Oh! Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, e cujo alento dá origem a toda a vida, ouça-me, sou pequeno e fraco, necessito de Sua força e sabedoria. Deixa-me andar na beleza, Faze meus olhos contemplarem sempre o vermelho e o púrpura do Pôr do Sol. Faze com que minhas mãos respeitem as coisas que criastes, e que meus ouvidos sejam aguçados para ouvir a Tua voz. Faze-me sábio para que eu possa compreender as coisas que ensinaste ao meu povo. Deixa-me aprender as lições que escondeste em cada folha, em cada rocha. Busco força. Não para ser maior que o meu irmão, mas para vencer o maior inimigo, eu mesmo. Faze-me sempre pronto para chegar a Ti, com as mãos limpas e olhar firme, a fim de que quando a vida se apague, como se apaga o poente, o meu espírito possa chegar a Ti sem se envergonhar.
LUZ E HARMONIA

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